Como garantir a origem de um produto? - Estadão

Como garantir a origem de um produto?  Estadão

Como garantir a origem de um produto? - Estadão

Tudo o que consumimos tem relação direta com a confiança que temos em cada produto ou serviço. Se a experiência for boa e despertar sensações agradáveis, é praticamente certo que repetir será uma simples consequência. Confiança significa querer de novo.

O mercado de cafés especiais teve o seu momento de reconhecimento a partir do final dos anos 1990, coincidentemente com o evento conhecido por Mal da Vaca Louca, doença degenerativa cerebral que pode ocorrer no gado bovino e que é transmitida aos humanos por consumo de carne contaminada.

Essa doença causou um enorme alvoroço nos países europeus, principalmente os da Grã Bretanha, onde os alimentos a base de carne bovina tiveram suas vendas suspensas até que fossem localizados os focos da doença. A causa dessa onda, que contaminou milhares de pessoas, estava na alimentação do gado bovino, pois, entre os ingredientes da ração foram encontradas partes de animais abatidos anteriormente contaminados, numa combinação macabra.

Para tentar acelerar o processo de mapeamento da nova situação, um comitê formado pelas maiores redes de varejo iniciou uma série de discussões sobre quais iniciativas poderiam ser tomadas para, de início, encontrar a origem da carne contaminada, determinar como os animais foram contaminados, definir ações para diminuir e, se possível, eliminar os focos. Finalmente, criar um sistema de informações sobre quem e como produziu, bem como a rota que o alimento percorreu até chegar às lojas, passou a ser o pilar fundamental.

Esse movimento deu origem aos sistemas conhecidos por Rastreabilidade, geridos por um conjunto de informações sempre atualizadas que hoje são conhecidos como Protocolos de Controle.

Sim, esse foi o início das certificações de processo como a UTZ, inicialmente Utz Kapeh, pois sua origem foi no controle de produção de café na América Central, e Rain Forest Alliance. Hoje, ambas formam uma única certificadora.

Com o tempo, outros protocolos de produção de café surgiram, incluindo os de originação, como aqueles de regiões demarcadas conhecidas, entre elas o Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas e Caparaó. A certificação de processo de produção mais antiga é a Orgânica, que juntamente com a Biodinâmica se baseiam no uso exclusivo de produtos naturais, isentos de agrotóxicos. A certificação Biodinâmica tem como outro diferencial a integração aos ciclos da Natureza, como o lunar.

Nos últimos anos, o mercado de café experimentou grande expansão das certificações de processo como instrumento de garantia da origem dos grãos, identificando o produtor e as atividades realizadas na lavoura. No entanto, é um processo caro e a compensação financeira é mínima, na maioria das vezes, inexistente. Por isso, apesar de mais de 20 anos de implantação, proporcionalmente, o número de cafeicultores certificados é pequeno.

O acesso aos registros, que se esperam fiéis aos procedimentos, é dar garantia que os produtos alimentícios atendem às normas de boas práticas de produção, principalmente em relação ao uso de agrotóxicos, além de aspectos ecológicos e sociais.

Com o surgimento das criptomoedas, um novo sistema de garantia começou a ser implantado, conhecido por blockchain, que é um banco de dados que permite o compartilhamento das informações de modo transparente, armazenadas em blocos específicos, que formam uma cadeia.As informações ali contidas, armazenadas por ordem cronológica em cada bloco, não podem ser alteradas a não ser por consentimento de todos os participantes da cadeia.

Para testar este modelo, a cafeteria Pato Rei lançou um micro lote muito especial de nome Beladona com a Família Minamihara, da Alta Mogiana, com grãos da variedade Gesha, orgânica. Segundo Tiago de Mello, sócio da Pato Rei e chefe de qualidade, este micro lote, que é cultivado no Sítio Santa Maria sob sombra de abacateiros, está disponível em latas de 100g a R$160,00.



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